Na ressaca de uma derrota pesada na Alemanha, podia
deixar aqui umas linhas sobre o jogo, a performance da equipa, ou o poderio
impressionante do adversário. No entanto, prefiro dedicar-me à maior virtude de
Rui Vitoria.
Jorge Jesus foi brilhante na forma como deu quase sempre
a volta às vendas de jogadores essenciais. Perdeu Javi Garcia, inventou Matic.
Perdeu Witsel no último dia do mercado, e sem número 8, inventou Enzo Perez. E
estes são só dois exemplos. Mas Rui Vitória, para além de ter também de lidar
com as vendas dos principais jogadores (Gaitan, Renato Sanches, Maxi Pereira,
Lima) tem sido forçado a lidar com um número incrível de lesões dos seus
principais jogadores.
Vejamos:
quando chegou, tinha como missão complicada substituir Maxi e Lima. Mas JJ já
nos tinha habituado a superar estas situações. Vitória, com Nelson Semedo e
Jonas, veio a ter o semelhante sucesso que se conhece.
Passemos para a presente temporada de 2016-2017. Vitória
tem agora que superar as habituais vendas (Renato e Gaitán), mas a época começa
logo tremida no que diz respeito a lesões. Jonas, o melhor jogador da temporada
anterior, lesiona-se num pé, depois apanha uma bactéria que ninguém compreende,
deixa crescer uma barba de impor respeito, e o Benfica joga sem o seu principal
jogador até Janeiro. Raul Jimenez, possível solução, passa também estes meses
entre o campo, o banco e o departamento médico. A solução passa a ser Guedes,
com tanto sucesso que é vendido ao PSG, mas isso será tema para outro post.
Sem Jonas, o Benfica segura a liderança até Dezembro com
três jogadores em grande forma: Grimaldo, Fejsa e Nelson Semedo. O que
acontece? Já estão a adivinhar. Grimaldo no estaleiro por tempo indeterminado,
Fejsa começa a falhar mais jogos do que os que joga, e, vá lá, Semedo continua
forte como um touro.
Lá salta Eliseu, o mal amado, regressa Samaris, Jonas
continua quase sempre de fora, mas Rui aguenta o barco, principalmente com
Pizzi no comando, Mitroglou a marcar como nunca, e os míudos Cervi e Zivkovic a
aparecerem.
Certo é que nunca se tinham visto tantas lesões graves em
jogadores essenciais nem no Benfica nem nos principais rivais. Por isso, quando
me perguntam se anseio pela chegada de reforços sonantes no Verão, digo apenas
que um novo departamento médico vinha mais a calhar.

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