quinta-feira, 9 de março de 2017

A principal virtude de Rui Vitória



Na ressaca de uma derrota pesada na Alemanha, podia deixar aqui umas linhas sobre o jogo, a performance da equipa, ou o poderio impressionante do adversário. No entanto, prefiro dedicar-me à maior virtude de Rui Vitoria.
 
Jorge Jesus foi brilhante na forma como deu quase sempre a volta às vendas de jogadores essenciais. Perdeu Javi Garcia, inventou Matic. Perdeu Witsel no último dia do mercado, e sem número 8, inventou Enzo Perez. E estes são só dois exemplos. Mas Rui Vitória, para além de ter também de lidar com as vendas dos principais jogadores (Gaitan, Renato Sanches, Maxi Pereira, Lima) tem sido forçado a lidar com um número incrível de lesões dos seus principais jogadores.
 
 Penso que esta é a sua principal virtude: gerir todo o plantel e encontrar soluções para todas (ou quase todas) as lesões.
Vejamos: quando chegou, tinha como missão complicada substituir Maxi e Lima. Mas JJ já nos tinha habituado a superar estas situações. Vitória, com Nelson Semedo e Jonas, veio a ter o semelhante sucesso que se conhece.
 
 Mas inicia-se então a época 2015/2016 com a chegada do novo treinador. Júlio César, um dos esteios da equipa, começa a dar sinais da idade. Com Paulo Lopes e o jovem Ederson como opções, Vitória não hesita e lança às feras um menino que se torna rapidamente um novo pilar da equipa. Pela mesma altura, o pilar da defesa e capitão, Luisão, lesiona-se, e fica de fora por muitos meses. Lindelof lançado às feras numa dupla com Jardel, com Lisandro a espaços, e o resto é história. Cerca de um mês depois, o melhor jogador da equipa e do campeonato, Nico Gaitán, vai também para o estaleiro. Já o Benfica ia a alguns pontos do Sporting, e a equipa sem 3 dos seus principais jogadores. Entre Talisca, Carcela e Gonçalo Guedes, Rui Vitória consegue que quase nem se note que a equipa joga sem Gaitán, numa ala esquerda já criticada por ter como base esse grande, mas pouco amado, Eliseu.
 
 O resto da temporada passada, já toda a gente conhece.
 
Passemos para a presente temporada de 2016-2017. Vitória tem agora que superar as habituais vendas (Renato e Gaitán), mas a época começa logo tremida no que diz respeito a lesões. Jonas, o melhor jogador da temporada anterior, lesiona-se num pé, depois apanha uma bactéria que ninguém compreende, deixa crescer uma barba de impor respeito, e o Benfica joga sem o seu principal jogador até Janeiro. Raul Jimenez, possível solução, passa também estes meses entre o campo, o banco e o departamento médico. A solução passa a ser Guedes, com tanto sucesso que é vendido ao PSG, mas isso será tema para outro post.
 
Sem Jonas, o Benfica segura a liderança até Dezembro com três jogadores em grande forma: Grimaldo, Fejsa e Nelson Semedo. O que acontece? Já estão a adivinhar. Grimaldo no estaleiro por tempo indeterminado, Fejsa começa a falhar mais jogos do que os que joga, e, vá lá, Semedo continua forte como um touro.
Lá salta Eliseu, o mal amado, regressa Samaris, Jonas continua quase sempre de fora, mas Rui aguenta o barco, principalmente com Pizzi no comando, Mitroglou a marcar como nunca, e os míudos Cervi e Zivkovic a aparecerem.
 
 O jogo de ontem mostrou que, sem Grimaldo, sem Jonas, e principalmente sem Fejsa, se torna muito complicado fazer frente a grandes equipas como o Dortmund. No entanto, tem chegado para vencer internamente, e tem sido, para mim, o pilar mais forte da gestão de Rui Vitória.
 
Certo é que nunca se tinham visto tantas lesões graves em jogadores essenciais nem no Benfica nem nos principais rivais. Por isso, quando me perguntam se anseio pela chegada de reforços sonantes no Verão, digo apenas que um novo departamento médico vinha mais a calhar.
 
 

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